A produção de aço bruto cresceu 2,1% no primeiro semestre de 2026, enquanto a de laminados permaneceu praticamente estável (-0,3%). O consumo aparente aumentou 1,0%, mas as importações continuam representando mais de 40% do mercado regional. Nesse contexto, diversos países da América Latina estão adotando medidas de defesa comercial e de promoção da produção local.
Os números mostram uma melhora na atividade em junho, embora o balanço do primeiro semestre continue sendo heterogêneo.
A produção de aço bruto atingiu 4,8 milhões de toneladas (Mt) em junho, com um crescimento de 2,1% em relação ao mesmo período do ano anterior e seu quarto mês consecutivo de expansão. No acumulado do primeiro semestre, chegou a 28,5 Mt, também 2,1% acima do mesmo período de 2025.
A produção de aço laminado também apresentou uma melhora em junho, com um crescimento de 0,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior e um volume de 4,2 Mt. No entanto, no acumulado do primeiro semestre, totalizou 25,6 Mt, ainda 0,3% abaixo do mesmo período do ano anterior. Por segmentos, a produção de perfis longos permaneceu estável, enquanto a de chapas planas recuou 0,9% e a de tubos sem costura cresceu 6,8%.
O consumo aparente de aço laminado atingiu 6,4 Mt em junho, em linha com a média mensal do semestre. Entre janeiro e junho, acumulou 38,2 Mt, um crescimento de 1,0% em relação ao mesmo período de 2025.
As importações continuam representando mais de 40% do consumo
No mercado externo, as importações atingiram 2,6 Mt em junho, com um aumento de 4,0% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado do primeiro semestre, totalizaram 15,6 Mt, 1,0% a menos do que no mesmo período de 2025. Apesar dessa ligeira redução, as importações continuaram representando 40,7% do consumo aparente regional, mantendo uma elevada participação no mercado latino-americano de aço.
O desempenho foi heterogêneo entre os principais mercados. Brasil (-21,8%), Argentina (-13,6%), Chile (-12,8%) e México (-9,2%) reduziram suas importações no acumulado do ano, enquanto Colômbia (+17,9%) e Peru (+25,1%) registraram aumentos.
Por sua vez, as exportações atingiram 3,3 Mt durante o primeiro semestre, com uma queda de 0,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Brasil registrou um crescimento de 19,3%, assim como o Chile (+11,4%) e o Peru (+4,0%), em contraste com as quedas da Argentina (-18,3%), da Colômbia (-28,6%) e do México (-22,3%).
Como resultado, a balança comercial regional acumulou um déficit de 12,3 Mt entre janeiro e junho, praticamente inalterado em relação aos 12,4 Mt do primeiro semestre de 2025. Somente em junho, o déficit foi de 2,0 Mt.
Os setores demandantes apresentam um desempenho heterogêneo
O desempenho dos principais setores consumidores de aço também apresentou diferenças durante o período. O setor de construção acumulou um crescimento de 0,8% no primeiro semestre e registrou uma melhora significativa em junho (+4,9% em relação ao mesmo período do ano anterior), com contribuições positivas da Colômbia, do México e da Argentina.
Em contrapartida, a produção industrial recuou 0,5% no acumulado do semestre, enquanto o setor de maquinário (-5,6%) e o de uso doméstico (-7,8%) continuaram em terreno negativo. O setor de uso doméstico, no entanto, interrompeu em junho uma sequência de sete meses consecutivos de quedas em relação ao mesmo período do ano anterior, registrando um crescimento de 2,5%.
O setor automotivo continua sendo a principal exceção positiva entre os setores demandantes, com um crescimento acumulado de 3,2% nos primeiros sete meses de 2026, impulsionado principalmente pelo Brasil (+8,7%).
A América Latina reforça suas medidas de defesa comercial
O elevado volume de importações e a pressão que a produção industrial regional enfrenta ocorrem em um contexto de crescente concorrência de produtos provenientes da Ásia. Conforme destaca o Relatório de Mercado da LATAM, o aumento das importações asiáticas vem afetando particularmente segmentos da indústria, como máquinas e eletrodomésticos.
